Na
última semana, um portal de notícias brasileiro divulgou informações
que, segundo o The Telegraph, pesquisadores dinamarqueses haviam
encontrado uma forma de curar o HIV e só dependiam dos resultados dos
testes em humanos para comprovar a eficácia da nova técnica, o que
acontecia em meses. Mito ou verdade, fato é que, muitas vezes a cura da
Aids já foi anunciada em pesquisas que faltavam informações ou seus
resultados acabaram se mostrando insatisfatórios. A notícia que o site
se referia, replicada em outras mídias, era de 2013, e apenas foi
atualizada no site e gerou toda a confusão.
A
Lado A reuniu uma série de pesquisas realizadas que foram anunciadas
como a próxima cura, mas acabaram ou num patamar de estagnação ou ainda
estão sem fins conclusivos:
Cura egípcia
Médicos
e engenheiros do exército egípcio anunciaram, segundo o jornal O
Positivo, que um trabalho de longa data possibilitou a criação de duas
máquinas, uma que identifica o vírus do HIV e outra que o elimina do
organismo. Além dos equipamentos, novos medicamentos foram criados para
auxiliar o processo de cura. Essa declaração foi dada no início de 2015,
e a promessa era de que pessoas começariam o tratamento já em julho,
este durando cerca de 6 meses. Até agora, não há registros de pessoas
curadas do vírus pela técnica.
Biofármaco Norueguês
No
final do ano passado, uma empresa farmacêutica da Noruega anunciou ter
aplicado uma nova técnica em 17 pacientes e que ela teria reduzido
consideravelmente a carga viral de pacientes com HIV. Tal técnica, muito
parecida com a da notícia recente sobre a pesquisa dinamarquesa,
consistia na ingestão de um medicamento chamado romidepsin, que ativaria
o vírus e o faria sair da célula. Em seguida, a vacina Vacc-4x seria
aplicada para aumentar a atividade imunológica e, assim, destruir os
vírus. Ainda assim, nenhum paciente chegou à cura.
Pesquisa brasileira
O
infectologista Ricardo Diaz, da Universidade Federal de São Paulo,
lidera uma pesquisa com o princípio da intensificação dos
antirretrovirais aplicados. As novidades são duas drogas, o dolutegravir
e o maraviroque, que tem por objetivo tirar o vírus do seu estado de
enclausuramento e, assim, destruí-lo. O pesquisador conta que outro
problema é que o vírus também se aloja em regiões de difícil acesso para
os remédios, como o cérebro, testículos e ovários. Para isso, seria
preciso uma espécie de vacina especial. A pesquisa é única no mundo e só
o Brasil tem permissão para fazê-la. Ainda assim sem cura anunciada.
Caso específico
Um
paciente alemão soropositivo submetido a um transplante de medula óssea
é o único caso da medicina reconhecido como cura. Após o transplante, o
paciente eliminou o vírus de seu organismo, pois a medula recebida era
de uma pessoa com imunidade ao vírus. Estima-se que 1% da população
branca seja imune ao vírus por não possuir o receptor, chave, utilizado
pelo HIV para entrar nas células.
Cura funcional
Já
bastante utilizada nos EUA, o medicamento Truvada consegue reduzir a
carga viral em até 96% e a torna indetectável. O Truvada também cria uma
imunidade temporária de alta eficácia ao vírus e está sendo usada como
forma de prevenção, se tomado diariamente por quem não é soropositivo.
Estima-se que o medicamento é a principal esperança contra o vírus,
tendo a Organização Mundial da Saúde indicado o seu uso como forma de
tratamento e prevenção. O medicamento ainda não está disponível no
Brasil.
Contagem regressiva
A
ONG AMfAR - American Foundation for Aids Research, começou uma contagem
regressiva para a cura da Aids. A organização estipulou que até 2020 os
parâmetros para o desenvolvimento de uma cura estejam definidos. Essa
estimativa se deu baseando-se no em dois fatos: Timothy Brown, paciente
de Berlim, foi o primeiro homem a ser curado do HIV em um processo
complicado que não pode ser repetido em larga escala, por conta dos
riscos, e um grupo de pacientes franceses que reduziram a força do vírus
ao ponto de o próprio organismo conseguir combatê-lo. Esses dois fatos
são as luzes para que a instituição, que serve como uma das principais
fontes de pesquisa para a cura no mundo todo tenha essa expectativa.
Portanto, a contagem regressiva é uma campanha robusta de investimento e
financiamento de pesquisas em busca dessa cura.
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