Em nota, presidente da OAB afirmou que investigados na Lava Jato não podem ser ministros. Segundo Lamachia, "autoridades responsáveis pela condução do país precisam estar acima de qualquer suspeita"
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, comentou a conversa do atual ministro do Planejamento Romero Jucá, que sugeriu interferir na Operação Lava Jato
em conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Em nota,
Lamachia afirmou que espera que o governo interino, comandado por Michel
Temer, "possa corresponder às expectativas da sociedade". "Espero que o
presidente em exercício tome medidas à altura da gravidade da
situação", disse.
O presidente da OAB afirmou que pessoas investigadas na Operação Lava
Jato não pode assumir o ministério "sob risco de ameaçar a chance que o
Brasil tem de trilhar melhores rumos. Qualquer ação suspeita praticada
pelos ministros investigados coloca o governo todo em xeque."
Claudio Lamachia também afirmou que havia alertado sobre o risco de
pessoas investigadas na Operação Lava Jato ocuparem o primeiro escalão
do governo federal. O presidente nacional da OAB disse que "todos os
cidadãos têm direito à ampla defesa e ao devido processo legal", mas que
"as autoridades responsáveis pela condução do país precisam estar acima
de qualquer suspeita". A afirmação é em referência à justificativa dada
por Temer ao nomear ministros suspeitos de estarem envolvido no esquema
do petrolão. Na ocasião, ele disse que todos são inocentes até que se
prove o contrário.
Confira a íntegra da nota:
"As revelações feitas pelo jornal Folha de S.Paulo na manhã
desta segunda-feira a respeito de diálogos do ministro Romero Jucá com
um interlocutor, supostamente tratando de interferências na Operação
Lava Jato e no Judiciário, expõem um problema com o qual o Brasil
precisa lidar de forma urgente.
Lamento que o país tenha, mais uma vez, que passar por um processo de
impeachment de um chefe do Executivo. O afastamento da presidente Dilma
Rousseff, no entanto, é legítimo e legal. Essa foi a conclusão dos
representantes das advogadas e advogados após ampla e minuciosa análise.
A Ordem dos Advogados do Brasil torce pelo sucesso do país e espera
que o governo interino possa corresponder às expectativas da sociedade.
Por isso, espero que o presidente em exercício tome medidas à altura da
gravidade da situação.
Desde que o novo ministério foi anunciado, alertei para o risco de
pessoas sob suspeita, investigadas pela Operação Lava Jato, estarem no
primeiro escalão do governo federal. A Lava Jato precisa acontecer com
independência e celeridade. A sociedade clama por respostas rápidas.
O novo governo, alçado ao poder pela via constitucional e não pela
via eleitoral, precisa ser um exemplo ético. Quem é investigado pela
Operação Lava Jato não pode ser ministro de Estado, sob o risco de
ameaçar a chance que o Brasil tem de trilhar melhores rumos. Qualquer
ação suspeita praticada pelos ministros investigados coloca o governo
todo em xeque.
Todos os cidadãos têm direito à ampla defesa e ao devido processo
legal. Mas as altas autoridades responsáveis pela condução do país
precisam estar acima de qualquer suspeita. Os investigados devem poder
se defender sem, para isso, comprometer a credibilidade das
instituições."
Claudio Lamachia, presidente nacional da OAB.
http://veja.abril.com.br/
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