Nova presidente da TAM, Claudia Sender(Divulgação/VEJA)
Mudança na base - Nessas duas empresas de exceção, o
protagonismo feminino não se restringe ao cargo mais alto. A diretoria
da Neoenergia tem sete integrantes, sendo três mulheres e quatro homens.
Na TAM, metade da diretoria é composta por mulheres. "Ainda somos
minoria, mas o quadro pouco a pouco vem mudando", diz a CEO da empresa
aérea.
A TAM determinou que ao menos uma mulher será sempre avaliada em
processos para a definição de cargos de liderança. Não há, assim, uma
cota a ser preenchida, mas a abertura de oportunidades para que mulheres
assumam, por mérito, postos de chefia. E não se trata apenas de uma
questão de gênero, mas de estratégia empresarial. "Uma liderança
homogênea corre o risco de criar um produto que não vai agradar a tanta
gente", diz a CEO da TAM.
Outras empresas, que - ainda - não têm uma mulher no comando ou em seus
principais postos executivos, já trabalham para equilibrar a balança.
Companhias como IBM, Boticário, Natura, Furnas e Vale têm programas que
incentivam o recrutamento de trabalhadoras mulheres.
Vania Somavilla, diretora-executiva de Recursos Humanos, Saúde e
Segurança, Sustentabilidade e Energia da Vale, conta que a mineradora
começou recentemente a colocar mulheres em funções que historicamente
eram ocupadas por homens. Há hoje na empresa, por exemplo, mulheres
motoristas de caminhão fora de estrada. "O número de acidentes caiu",
afirma a diretora. "Isso reduziu nossos custos com seguros."
Esse tipo de ação exige mudança de mentalidade. "As empresas deixam de
contratar a melhor administradora do país para não pagar
licença-maternidade, por exemplo", diz Carmen Migueles, professora da
Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, da Fundação
Getulio Vargas. "Essas empresas são muito ruins em inteligência
competitiva e inovação porque focam no corte de custos, perdendo
qualidade de liderança." A professora é uma das maiores referências
brasileiras em cultura organizacional e coautora de livros como
Liderança baseada em valores (Ed. Elsevier).
As mulheres não chegarão ao topo das maiores empresas brasileiras
apenas para assegurar o equilíbrio de gêneros nos postos de comando, mas
é preciso que elas ao menos tenham a oportunidade de disputar esses
postos. "As pessoas têm que entender que não é homem contra mulher", diz
Claudia Sender, da TAM. "É como a inserção da mulher no mercado pode
ajudar a todos."
http://veja.abril.com.br
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