terça-feira, 8 de março de 2016

A Nova presidente da TAM.



Nova presidente da TAM, Claudia Sender
 Nova presidente da TAM, Claudia Sender(Divulgação/VEJA)

Mudança na base - Nessas duas empresas de exceção, o protagonismo feminino não se restringe ao cargo mais alto. A diretoria da Neoenergia tem sete integrantes, sendo três mulheres e quatro homens. Na TAM, metade da diretoria é composta por mulheres. "Ainda somos minoria, mas o quadro pouco a pouco vem mudando", diz a CEO da empresa aérea.
A TAM determinou que ao menos uma mulher será sempre avaliada em processos para a definição de cargos de liderança. Não há, assim, uma cota a ser preenchida, mas a abertura de oportunidades para que mulheres assumam, por mérito, postos de chefia. E não se trata apenas de uma questão de gênero, mas de estratégia empresarial. "Uma liderança homogênea corre o risco de criar um produto que não vai agradar a tanta gente", diz a CEO da TAM.
Outras empresas, que - ainda - não têm uma mulher no comando ou em seus principais postos executivos, já trabalham para equilibrar a balança. Companhias como IBM, Boticário, Natura, Furnas e Vale têm programas que incentivam o recrutamento de trabalhadoras mulheres.
Vania Somavilla, diretora-executiva de Recursos Humanos, Saúde e Segurança, Sustentabilidade e Energia da Vale, conta que a mineradora começou recentemente a colocar mulheres em funções que historicamente eram ocupadas por homens. Há hoje na empresa, por exemplo, mulheres motoristas de caminhão fora de estrada. "O número de acidentes caiu", afirma a diretora. "Isso reduziu nossos custos com seguros."
Esse tipo de ação exige mudança de mentalidade. "As empresas deixam de contratar a melhor administradora do país para não pagar licença-maternidade, por exemplo", diz Carmen Migueles, professora da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, da Fundação Getulio Vargas. "Essas empresas são muito ruins em inteligência competitiva e inovação porque focam no corte de custos, perdendo qualidade de liderança." A professora é uma das maiores referências brasileiras em cultura organizacional e coautora de livros como Liderança baseada em valores (Ed. Elsevier).
As mulheres não chegarão ao topo das maiores empresas brasileiras apenas para assegurar o equilíbrio de gêneros nos postos de comando, mas é preciso que elas ao menos tenham a oportunidade de disputar esses postos. "As pessoas têm que entender que não é homem contra mulher", diz Claudia Sender, da TAM. "É como a inserção da mulher no mercado pode ajudar a todos."

http://veja.abril.com.br

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