segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

João Santana, o consultor-geral para agendas do governo

Além de comandar campanhas e aconselhar Dilma, marqueteiro do PT funcionava como 'ponte' para contato de diversos interlocutores com o governo

 


João Santana, marqueteiro da candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, chega para o debate promovido pelo SBT, nesta quinta-feira (16), em São Paulo
João Santana, marqueteiro da candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, chega para o debate promovido pelo SBT, nesta quinta-feira (16), em São Paulo(Felipe Cotrim/VEJA.com)

Mais do que o marqueteiro oficial das campanhas presidenciais de Lula e Dilma, o jornalista e publicitário João Santana era praticamente o único quadro político com quem a petista se aconselhava nos momentos mais agudos da atual grave crise política e econômica. Mas e-mails em poder dos investigadores da Operação Lava Jato evidenciam que, aos olhos dos mais diversos interlocutores, Santana era mais: quase uma espécie de consultor-geral para agendas de governo, com influência na administração de outros países e até como contato preferencial de agentes em busca de reuniões com o ex-presidente Lula ou com a presidente Dilma.
Em novembro do ano passado, o ex-governador de Córdoba, na Argentina, José Manuel De la Sota, pede a intermediação de Santana para um encontro com o ex-presidente Lula. Com o atual presidente argentino Maurício Macri recém-eleito, De la Sota explica que gostaria de discutir com o petista a situação política da Argentina e a posição de Macri sobre uma reunião do Mercosul em dezembro. O marqueteiro rejeita então a possibilidade do encontro e avisa: "Presidente Lula está sob uma carga muito forte da ação adversária". Na reunião semestral do Mercosul, Macri acabou pedindo a libertação dos presos políticos na Venezuela, país cujo presidente, Nicolás Maduro, é defendido pelo governo brasileiro.
Poucos dias antes, em 16 de outubro de 2015, mais uma mostra da "versatilidade" de João Santana. O diretor-superintendente da Odebrecht Angola, Jarbas Sant'anna, encaminha ao marqueteiro uma cópia do discurso proferido pelo vice-presidente do país africano, Manuel Domingos Vicente, classificado pelo executivo como "nosso amigo". Vicente foi presidente do Conselho de Administração da petrolífera angolana Sonangol e foi citado pelo delator Nestor Cerveró como a pessoa que lhe assegurou que, em uma transação para a compra de blocos de petróleo pela Petrobras na África, até 50 milhões de reais acabaram desviados em propina para o financiamento da campanha presidencial de Lula em 2006.

http://veja.abril.com.br

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