Além de comandar campanhas e aconselhar Dilma, marqueteiro do PT funcionava como 'ponte' para contato de diversos interlocutores com o governo
Mais
do que o marqueteiro oficial das campanhas presidenciais de Lula e
Dilma, o jornalista e publicitário João Santana era praticamente o único
quadro político com quem a petista se aconselhava nos momentos mais
agudos da atual grave crise política e econômica. Mas e-mails em poder
dos investigadores da Operação Lava Jato evidenciam que, aos olhos dos
mais diversos interlocutores, Santana era mais: quase uma espécie de
consultor-geral para agendas de governo, com influência na administração
de outros países e até como contato preferencial de agentes em busca de
reuniões com o ex-presidente Lula ou com a presidente Dilma.
Em novembro do ano passado, o ex-governador de Córdoba, na Argentina,
José Manuel De la Sota, pede a intermediação de Santana para um
encontro com o ex-presidente Lula. Com o atual presidente argentino
Maurício Macri recém-eleito, De la Sota explica que gostaria de discutir
com o petista a situação política da Argentina e a posição de Macri
sobre uma reunião do Mercosul em dezembro. O marqueteiro rejeita então a
possibilidade do encontro e avisa: "Presidente Lula está sob uma carga
muito forte da ação adversária". Na reunião semestral do Mercosul, Macri
acabou pedindo a libertação dos presos políticos na Venezuela, país
cujo presidente, Nicolás Maduro, é defendido pelo governo brasileiro.
Poucos dias antes, em 16 de outubro de 2015, mais uma mostra da
"versatilidade" de João Santana. O diretor-superintendente da Odebrecht
Angola, Jarbas Sant'anna, encaminha ao marqueteiro uma cópia do discurso
proferido pelo vice-presidente do país africano, Manuel Domingos
Vicente, classificado pelo executivo como "nosso amigo". Vicente foi
presidente do Conselho de Administração da petrolífera angolana Sonangol
e foi citado pelo delator Nestor Cerveró como a pessoa que lhe
assegurou que, em uma transação para a compra de blocos de petróleo pela
Petrobras na África, até 50 milhões de reais acabaram desviados em
propina para o financiamento da campanha presidencial de Lula em 2006.
http://veja.abril.com.br
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